quarta-feira, 29 de maio de 2013

Hábitos alimentares que proporcionam envelhecimento saudável

    A alimentação é relacionada, por muitas vezes, apenas como uma das atividades presente em nosso dia-a-dia para satisfazer as necessidades momentâneas, como a fome, por exemplo. Mas, por trás deste acontecimento, vários outros fatores estão envolvidos. Durante a alimentação é que obtemos os nutrientes necessários para o crescimento, reparação, metabolismo, reprodução e movimento.
     Com o foco no envelhecimento, cabe ressaltar que os mecanismos de ingestão, digestão, absorção, transporte e excreção das substâncias ficam diminuídos. Além disso, também há uma redução no tamanho dos órgãos (rins, fígado, cérebro, etc), redução da massa corporal e da água corporal total, além de um aumento progressivo da gordura corporal. Todas estas alterações contribuem para uma modificação do padrão alimentar do idoso e requer mais atenção para que tais modificações sejam notadas de forma clara, a fim de se identificar as reais necessidades de ingestão dos nutrientes adequados.
     Você sabia que a alimentação é um fator de risco para doenças cardiovasculares? Consumir alimentos saudáveis na quantidade ideal  pode contribuir para o envelhecimento saudável e servem como fatores de proteção.
    Outros fatores que contribuem como um fator de proteção na alimentação é o consumo reduzido de álcool que diminui as chances de infarto do miocárdio e aumenta a sensibilidade à insulina. Os flavonoides (compostos vegetais)  que previnem as doenças associadas ao envelhecimento, como a doença coronária. O vinho tinto que contém o resveratrol também reduz o risco de doença coronária e aumenta a longevidade. Podemos observar que inúmeros são os alimentos que contribuem para um envelhecimento saudável. Porém, outros fatores, como: tabagismo, alimentação rica em açúcares e gorduras, falta de atividade física e consumo excessivo de bebidas alcoólicas podem ter um efeito prejudicial a saúde.
    Neste contexto, destacamos o estado nutricional, que é um preditor de saúde a partir dos nutrientes  ingeridos na dieta e presente no corpo. O estado nutricional pode ser medido a partir do balanço energético (ingestão de alimentos X gasto energético), medidas bioquímicas (proteínas, glicemia, lipídeos, hormônios, vitaminas, etc), aspectos clínicos e avaliação antropométrica. A alimentação e nutrição possuem um impacto direto na saúde e no bem-estar de idosos, consequentemente influencia na qualidade de vida.
     Embora tenhamos relacionado o estado nutricional com o fator fisiológico, ele também é influenciado pelos fatores psicológicos, socieconômicos e ambientais. Isso porque, a dieta é diretamente relacionada com os padrões econômicos da população e suas condições de vida. De que adianta um cardápio super elaborado, com todos os nutrientes necessários se não for atentado para as questões econômicas? Certamente o idoso ou qualquer outro indivíduo deixará de comprar os alimentos recomendados, além das condições de preparo dos alimentos que podem ser desfavoráveis.
      De acordo com o Manual de Gerontologia (2012), outras orientações no que diz respeito ao consumo alimentar para idosos podem ser destacadas:
  • Priorizar pratos tradicionais, para que o idoso se sinta motivado a se alimentar;
  • Adaptar técnicas culinárias ao idoso, se necessário corte ou triture o alimento antes de oferecer;
  • O prato deve ser visualmente atrativo, com diferentes cores, formas, texturas e aromas;
  • Fazer a refeição em um ambiente agradável;
  • Experimentar realizar novas formas de preparação, além das já utilizadas;
  • Beber água em intervalos regulares;
  • Moderar o consumo de sal, açúcar e bebidas alcoólicas;
  • Dar um passeio antes da refeição para estimular o apetite, caso este esteja em falta;
  • Evitar passar muito tempo na cozinha e preparar refeições que possam ser congeladas;
  • Aumentar o uso de ervas e limão, além de diminuir o consumo de enlatados.
    Estas são algumas dicas para uma promoção de saúde a partir de mudança comportamentais que podem ser incorporadas em qualquer idade e promover um envelhecimento saudável. Procure sempre um profissional da saúde especializado.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

O peso da espiritualidade e religião na vida de indivíduos idosos



         Quando chegamos à velhice, por ser considerada a última etapa de nossas vidas, de certa forma somos induzidos à reflexão sobre alguns temas que envolvem existência, morte e missão. A religiosidade e espiritualidade nesses casos nos fornece amparo como saída para encontrar as respostas dessas indagações. Ao chegar nessa etapa, algumas pessoas acham necessário fazer um balanço geral da vida, os resultados acabam por indicar um vácuo existencial e a religião e espiritualidade tornam-se mais presentes na vida dessas pessoas com a função de amparo nessa situação.
De maneira bem sucinta devemos deixar claro que religiosidade é quando um indivíduo segue, acredita e pratica uma religião e espiritualidade. Ela está ligada a um tipo de experiência que se expressa pela consciência de que existe uma dimensão transcendente caracterizada por certos valores em relação aos outros, a natureza, vida, a nós mesmos e qualquer outro aspecto reconhecido como ser supremo.
A presença da espiritualidade em nossas vidas pode estar relacionada com explicações fornecidas para esclarecer pontos cruciais sobre os fins últimos da existência, passado, presente, busca de significado, autotranscendência e heroísmo diante do sofrimento. A espiritualidade não necessariamente precisa ter ligação com a prática religiosa ou crença.
 Atualmente a Organização Mundial de Saúde (OMS) entende que a espiritualidade contribui imensamente para o aumento da qualidade de vida e foi incluída nos âmbitos de domínios que devem ser considerados nas avaliações e na promoção a saúde em todas as idades.
Idosos e adultos que percebem a vida com algum significado religioso são mais aceitadores e tolerantes do que os que não enxergam dessa maneira. Têm menor predisposição ao sentimento de vazio existencial e são mais realistas na perseguição de metas. Com isso, ficam menos expostos a insatisfação e frustração. É frequente ainda a percepção de bem estar subjetivo em idosos que tem a religiosidade e espiritualidade presentes em seu cotidiano, muitos se sentem bem e satisfeitos, independente das circunstâncias negativas a velhice. 
Existem duas teorias sobre o aumento na religiosidade na velhice. A primeira é que, por temerem a morte, os idosos passam a acreditar mais em Deus e a rezar mais. A religiosidade pode se dar ainda como um fenômeno cultural, que se apresenta de diferentes formas em diferentes sociedades. Assim os idosos atuais são mais religiosos do que os jovens, porque se desenvolveram num contexto em que a religião era mais presente nas famílias do que atualmente. A segunda considera que a proximidade da morte faz com que os idosos encaminhem buscas por temas existenciais e que o façam por meio da crença ao sagrado.
Os indivíduos mais longevos acabam por desenvolver algo que chamamos de gerotranscendência, reforçando o senso de integridade do ego e sabedoria. A morte pode ser entendida como um evento sintônico a vida e desfecho natural de todos os seres humanos, envolvendo diversos aspectos relacionados à compreensão do mundo de ampliação do self e envolvimento vital em busca da paz de espírito. Estes idosos dificilmente negam a velhice e quando se mantém produtivo perante a sociedade, alcançam tal nível de maturidade, que reconhecem seus próprios limites, não em busca de estar à altura das expectativas dos outros, mas se engajam na busca da perfeição pessoal que lhe parecem significativa.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Parkinson`s Boxer: na luta contra a doença de Parkinson!


 De todas as práticas e métodos terapêuticos das quais eu já conheci ou ouvi falar para portadores de Doença de Parkinson (DP), confesso que um dos mais interessantes é o programa Rock Steady Boxe. Esse tipo de atividade é fruto da ideia pioneira de um americano que aos 40 anos foi diagnosticado como portador de DP.
   As pesquisas nos fornecem constan-
temente informações satisfatórias para compreendermos que os portadores de doenças crônicas necessitam participar de algum tipo de atividade que  possibilite o aumento da qualidade de vida.  Um aspecto tão importante como esse é de grande peso quando pensamos em expectativa de vida e melhor desempenho no tratamento dessas doenças, principalmente quando se trata do portador de DP, na qual a prática terapêutica do boxe pode, de certa forma, influenciar na execução das atividades de vida diária. Os treinadores que participam desse tipo de programa enfatizam que o grande diferencial é a capacidade de exercitar potencialidades como, força, flexibilidade e agilidade.
   Outro fator interessante é que a estratégia de treinamento do boxe procura sempre trabalhar os movimentos do corpo, combatendo a rigidez muscular (ponto forte da DP). O poder de impactar beneficamente na rotina dos Parkinson`s Boxer auxilia na progressão dos treinos e é vista com bons olhos pelos familiares que acompanham e notam a evolução por meio da atividade, diminuição dos sintomas e adoção de uma vida mais saudável. 
  As aulas são estruturadas em quatro níveis e procuram atender as peculiaridades de cada frequentador, entendendo suas necessidades e limitações. A divisão desses níveis é baseada de acordo com o grau de instalação da DP no indivíduo e sua capacidade na execução de atividade física. A definição de alocação dentro dos níveis é feita por meio de uma avaliação da equipe de treinamento que avalia uma série de domínios que buscam enxergar o idoso de uma forma abrangente. De uma maneira bem sucinta vamos abordar esses níveis:
  • Nível 01: O foco desse modulo é, basicamente, melhorar o nível de condicionamento físico, desequilíbrio postural e manutenção do corpo saudável. 
  • Nível 02: O objetivo desse nível é manter o nível da capacidade de execução de atividade física, incentivo a respiração profunda, melhorar a precisão dos movimentos.  
  • Nível 03: Já nessa fase o idoso adota um perfil de treinamento mais seguro, desenvolve melhor seu grau de autoeficácia e autoconfiança. Caso haja problemas com a balança, os treinadores ensinam técnicas que auxiliam na perda de peso por meio das atividades, são treinadas também técnicas de respiração profunda, terapia de voz, e combate ao comprometimento cognitivo.
  •  Nível 04: Essa última etapa busca trabalhar flexibilidade, nível de estresse, equilíbrio, autoconhecimento e melhor desempenho da marcha. 
  É isso ai, espero que vocês tenham curtido conhecer um pouco sobre o Rock Steady Boxe. Minha dica gerontológica é, adote práticas de terapias alternativas indicadas por um gerontólogo. Elas podem ser uma ótima solução para pacientes que tem dificuldade na adesão dos planos de tratamento, promova o bem estar.