segunda-feira, 7 de março de 2016

O preço da Terceira Idade

    O envelhecimento da população é um fenômeno que cria discussões e produz desafios para melhora da condução dos problemas no meio social, de saúde e econômico. Uma das estratégias utilizadas como contribuição, foi o desenvolvimento de estudos no campo da Gerontologia. As mudanças culturais de idosos que envelhecem neste século é marcada por mudanças de hábitos, crenças, imagens e termos utilizados para caracterizar esse períodos da vida. 

  A associação de mais anos de idade ao descanso, quietude, inatividade e desenvolvimento hábitos marginalizados socialmente, tem sido substituída pela imagem de idosos "ativos", esbanjando flexibilidade, satisfação pessoal e com sucesso na vida amorosa. Foi assim, por meio do aumento de descrições comportamentais, que a Velhice somou-se a Terceira Idade.

  O debate em torno do uso da linguagem, Terceira Idade ou Melhor Idade é frequente entre acadêmicos, professores, idosos, familiares e diversos outros envolvidos nesse contexto. Um ponto interessante é que, a origem desses termos é fruto de práticas sociais, discursos políticos e interesses econômicos do mercado. Antes do século XIX não havia espaço para diferenciar grupos de acordo com sua idade, ou seja, crianças e adultos não tinham nenhuma diferença. Até questões sobre o intimo e privado não eram bem esclarecidas.

   O que aconteceu então foi que o mundo, do lado ocidental, passou por um período de modernização da sociedade. Cada pessoa começou a ser alocada numa etapa, essas etapas tem unidade de medida cronológica e sensibilidade específica. O objetivo foi diferenciar socialmente um do outro, os reflexos foram imediatos e rapidamente notou-se mudanças familiares, no trabalho, instituições do estado e no mercado de consumo.

    Diversos estudos realizados sobre o segmento do público idoso tem facilitado a vida da industria e de publicitários que se debruçam sobre esse conhecimento, criando estratégias para satisfazer e fidelizar esses clientes. Uma pesquisa desenvolvida na região Sul do Brasil em 2004, concluiu que além de sentirem-se mais jovens do que são cronologicamente, formam uma grande oportunidade de mercado, com nichos específicos. As mulheres por exemplo, influenciando diretamente no poder de compra.

   É comum ainda notar que o idoso sente-se experiente e com disposição para o trabalho, mas a percepção relativa a discriminação social e a problemas de saúde ainda é constante, o que diminui sua expectativa de vida. Ainda em 2004, o poder de compra girava em torno de R$ 900,00 e o significado disso para economia nacional é muito importante. Para se ter noção, veja os dados abaixo:


   
   Não foram encontradas informações relacionadas à indústria de cosméticos, vestimentas e calçados, mas é nítido que essas áreas de exploração do mercado vem investindo cada vez mais em divulgação de novas técnicas de rejuvenescimento, com o objetivo de mostrar que rugas e flacidez não são aceitáveis. A mulher é a principal vitima de crítica moral na sociedade, quando se recusa a fazer uso de cosméticos e procedimentos cirúrgicos. A juventude virou um produto, precificado, com proposta de valor e investimento. 

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Pneumonia em idosos, um problema cada vez maior.

  Nessa época do ano, é muito importante conversarmos sobre um problema cada vez mais frequente não só entre idosos, mas também em pessoas de qualquer faixa etária, a pneumonia. O que você sabe sobre essa doença? Tudo bem, normalmente não costuma-se buscar informações a respeito desse tipo de complicação, até que se esteja frente a uma.
  A pneumonia pode ser caracterizada como a inflamação dos pulmões e é causada principalmente por bactérias, fungos ou vírus, na linguagem técnica, chamados de agentes infecciosos. No grupo de doenças que lideram o ranking das internações hospitalares, a pneumonia encontra-se no topo. Entre os idosos é a quarta causa principal de hospitalização. Em 2010 o Sistema de Informações sobre Mortalidade do Ministério da Saúde divulgou que em decorrência da enfermidade 43 mil  idosos foram a óbito no Brasil. Devido a esse dado alarmante, o ministério da saúde reforçou a campanha nacional de vacinação contra a gripe em nosso país.
  A doença é mais prevalente em idosos, não porque o indivíduo tende a ficar doente nessa fase da vida, mas sim por sua condição de vulnerabilidade e fragilidade que os tornam mais suscetíveis a doença. Nosso organismo tende a sofrer alterações em seu funcionamento com o passar dos anos e o sistema imunológico acompanha essas mudanças. Por isso é extremamente importante que você fique atento a como evitar esse tipo de doença e quais providências deve tomar caso note algum sinal ou sintoma. 


  
Os sintomas mais comuns são:
  • Tosse com secreção (podendo não haver sangue);
  • Febre alta;
  • Calafrios;
  • Falta de ar;
  • Dor torácica durante a respiração;

  O diagnóstico é basicamente realizado de forma simples, o médico deverá considerar a história clínica do paciente. Essas informações são coletadas através de diálogo com o próprio paciente e com familiares, exame clínico e raio-x. O tratamento é baseado no uso de antibióticos, mas vale a pena lembrar que nessa situação o plano terapêutico é realizado de acordo com o agente causador, ou seja, não é indicado o uso desses medicamentos sem recomendação médica. 
  
As dicas de prevenção não são complicadas, vejam só: 
  • Lavar as mãos;
  • Evitar ambientes frios e úmidos sem proteção adequada;
  • Higiene oral;
  • Controle de outras doenças pré-existentes;
  • Em pacientes acamados ou com repouso prolongado, posicionar o indivíduo e o leito de forma correta, evitar uso de colchões de água, mantê-lo bem agasalhado e realizar a mudança de decúbito;
  Para os idosos, a vacina contra a gripe pode ajudar a reduzir o risco de pneumonia em cerca de 60%, e o risco de hospitalização e morte em 50% a 68%. Por isso não deixe de tomar a vacina no posto de saúde mais próximo a sua residência e ir até um proto socorro ou comunicar seu médico caso sinta a presença sintomática da doença, evitando assim o seu agravo. Lembre-se também de não tomar medicamento por conta própria, as práticas caseiras de tratamento podem ser uma saída, mas antes discuta com seu médico essa possibilidade.

sábado, 19 de abril de 2014

Crise da meia-idade: verdade ou mito?

  Nessa matéria abordamos um assunto curioso e interessante tanto para os homens como para as mulheres que encontram-se na faixa etária entre os 40 e 60 anos de idade. A crise da meia-idade, é uma verdade ou seria um mito? Antes de responder essa dúvida, precisamos falar sobre alguns pontos importantes na criação dessa teoria.
  O pesquisador canadense Ellitott Jaques, considerado o pai da Crise da meia-idade, realizou uma pesquisa no ano de 1965, na qual os participantes eram pintores que tiveram seu comportamento avaliado em um determinado período. Passado um considerável intervalo de tempo, o cientista observou que os artistas pareciam mudar de estilo ao chegarem a um ponto intermediário da vida e, em determinado momento alguns passavam até a utilizar tons mais sombrios em suas pinturas. Para Jaques, com o passar dos anos os artistas tornavam-se mais maduros e desenvolviam uma consciência crescente da mortalidade, acompanhada principalmente de um sentimento profundo de depressão e perda. 
  A partir dai, a teoria da Crise da meia idade começou a ganhar força, não somente pelo estudo realizado por Jaques, mas também por outros pesquisadores da época reforçarem a ideia de que, na meia idade, o homem sofre uma perda da vitalidade juvenil e que esse fato implica diretamente sobre seu orgulho narcísico da juventude. Ainda hoje é comum presenciarmos indivíduos que, embora não estejam literalmente perto da morte, nem sofrendo um grande declínio do corpo, encarem as mudanças naturais do envelhecimento como uma ameaça fundamental.

  Nesta perspectiva, acreditava-se que por volta dos 47 anos de idade, a maioria dos homens entravam em um período de batalhas no interior do seu próprio "eu" com o mundo externo. A fase da meia idade, dependendo do ponto de vista, pode ser interpretada como um momento de crise. Vários aspectos da vida são questionados, tanto pelos homens como pelas mulheres, mas o sexo masculino em especial acaba se horrorizando bem mais com a realidade que vem a se apresentar, principalmente pela perda de funções e mudanças no papel social. Este evento acaba desencadeando uma série de atitudes como, recriminações a si mesmo e aos outros no seu círculo de relacionamento.
  Atualmente as pesquisas gerontológicas acabaram com o mito da Crise da meia idade e com a ideia de que nessa fase intermediária da vida iremos passar por uma crise previsível. Estudos científicos deram uma imagem do envelhecimento em um aspecto geral e pontualmente da meia idade muito oposta daquela difundida anteriormente. Pesquisadores norte-americanos acompanharam 8 mil indivíduos há mais de 10 anos em um estudo que avaliava o Desenvolvimento Bem-sucedido na Meia-idade e garantiram que não existe qualquer prova empírica ou evidência científica de que a chegada da meia-idade signifique um período de crise. Apenas 5% da população observada, relatou algum tipo de trauma na meia-idade, e se tratava, de modo geral, de pessoas que haviam sofrido traumas ao longo de toda a vida. 
  Contradizendo a Teoria da Crise da meia idade, os pesquisadores identificaram que os indivíduos entre os 35 e 65 anos de idade e, em particular, entre os 40 e os 60 anos, relataram um maior sentimento de bem-estar. As mulheres disseram ter descoberto que a menopausa não é o mar de tristeza e suores que lhes haviam retratado, mas sim um alívio. Grande parte apresentou uma melhora na sensação de produtividade e empenho nas atividades significativas, além da percepção de aumento do auto-controle. 
 Como gerontólogo, devo reconhecer que  muitos dos indivíduos que vivenciam a meia-idade possuem um grau considerável de tensão, mas essas pessoas podem se utilizar do enfrentamento dessa tensão para gerar a sensação de sentir-se bem a seu respeito, uma vez que os eventos estressantes do cotidiano acabam permitindo que a resiliência seja usada com mais eficácia, contribuindo para o aumento da percepção de auto-confiança.  
  Esperamos que vocês tenham gostado do conteúdo abordado, quem tiver interesse em conversar um pouco mais sobre o assunto, pode nos enviar um e-mail ou comentar abaixo da matéria que iremos responder com o maior carinho. LEMBRE-SE, independente da idade em que você esteja, nunca é tarde para realizar seus projetos pessoais e que o passar dos anos nos traz experiências para lidar com os problemas do dia-a-dia.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Arte-terapia como método terapêutico para idosos

 

Desde muitos séculos atrás até hoje a arte é utilizada para expressar situações vivenciadas pelo ser humano, independentemente do seu grau de desenvolvimento cultural e intelectual. Alguns filósofos referem-se a arte como necessária ao homem, como uma forma de equilíbrio e de integração com o seu meio ambiente. A linguagem utilizada pela imagem requer um empenho de reconhecimento de cores, movimentos, formas e sensações visuais.
Esse tipo de comunicação ultrapassa os objetivos da estética, juízo crítico e avaliação artística, podendo assumir função terapêutica, ampliando suas oportunidades e permitindo que outros profissionais explorem seus recursos e a utilizem com fins não-estéticos.
A adoção da arte como terapia possibilita ao cliente identificar nas suas representações artísticas, seus sentimentos, pensamentos e sensações em diversas épocas ou situações de vida. No século XIX, as expressões artísticas já eram utilizadas em hospitais como atividades terapêuticas e auxiliavam no diagnóstico de diversos quadros clínicos patológicos.
A representação plástica funciona como um excelente meio de comunicação entre o terapeuta e o cliente. Alguns pacientes se recusam a expressar seus sonhos e fantasias, alegando que não possuem habilidades artísticas, mas é função do terapeuta desprendê-los dessa ideia, explicando a importância da prática de expressão e sua eficácia no processo terapêutico. Como instrumento de desenvolvimento cognitivo, a arte representa a interação do organismo em amadurecimento com o meio ambiente, adaptando-se e interagindo no mundo em que vive.
A cognição é composta pela presença de fatores como, autonomia, juízo crítico, independência, memória, pensamento, sentimento, que traduzem a capacidade do indivíduo de usufruir de condições biopsicossociais adequadas as suas necessidades. A arte-terapia oferece oportunidade de exploração de problemas e de potencialidades pessoais por meio da expressão verbal e não-verbal e do desenvolvimento de recursos físicos, cognitivos e emocionais , bem como a aprendizagem de habilidades, mediante experiências terapêuticas variadas. É possível identificar preocupações, anseios e interesses do paciente, além de desenvolver habilidades e personalidade, é utilizada como meio reconciliador de conflitos emocionais, e de facilitar a autopercepção e o desenvolvimento pessoal, pontos extremamente relevantes para a vida do idoso.
A utilização desse tipo de terapia expressiva em idosos sadios ou portadores de demências é uma proposta que objetiva a manutenção da integridade cognitiva, emocional e social para indivíduos nessa fase da vida. É crucial ressaltarmos que esse segmento terapêutico visa por meio das técnicas de terapia expressiva promover o bem estar do idoso, manter sua funcionalidade, retardar o avanço da demência, melhorar as condições de interação com os familiares e simultaneamente investir do bem estar da família.

No idoso portador de demência, alguns dos principais pontos da doença a serem trabalhados na arte-terapia são:
· Manifestações de depressão e ansiedade;
·  Inadequações de comportamento social;
·  Sexualidade;
· Relações interpessoais;
· Déficits de memória;
· Desenvolvimento e manutenção da linguagem;
· Percepção de tempo e espaço;
· Funcionalidade nas atividades de vida diária;
· Retardamento do curso das afasias, agnosias e apraxia;

A opinião do blog sobre a arte-terapia, é que esse tipo de recurso deve ser explorado e utilizado da forma mais adequada e satisfatória possível para o idoso dentro do quadro que esse apresenta. É importante que o terapeuta considere as expectativas da família e as limitações do cliente para que haja harmonia durante qualquer tipo de intervenção.  



segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Entenda como o Cinebate em Gerontologia contribui com a reflexão sobre o envelhecimento

Você já ouviu falar em Cinedebate? E Cinedebate em Gerontologia??

   O cinedebate em Gerontologia é um modelo que visa a inserção social dos idosos por meio da discussão de filmes. Através de suas sessões, é possível vivenciar o cotidiano, que carrega consigo diversos significados, e realizar os debates em torno do processo de envelhecimento.
   Este tipo de atividade se torna uma importante ferramenta para abordar os aspectos biopsicossociais que compõe a multidimensionalidade humana e permite que as questões de envelhecimento saudável e qualidade de vida na velhice sejam abordadas através das reflexões baseadas na história de um filme.
   A visão que o indivíduo terá sobre o filme é influenciada diretamente por quem é este indivíduo, em qual situação ele está e qual a trajetória de vida dele. Desta forma, o filme passa diferentes significados a cada pessoa e por meio dos Cinedebates em Gerontologia, um mesmo filme, pode permitir que cada idoso encontre um significado diferente em sua vida. 
   Os Cinedebates em Gerontologia permitem a promoção da saúde dos participantes, principalmente quando são retratadas as cenas do cotidiano, buscando o envelhecimento saudável e a qualidade de vida. Desmistificar alguns temas que são tratados de forma cautelosa em nossa sociedade, apresentar novas perspectivas, a busca pela intergeracionalidade e a quebra dos estereótipos se tornam alguns caminhos pelos quais os participantes dos Cinedebates em Gerontologia podem usufruir.
   Um dos exemplos de filmes que podem ser utilizados em Cinedebates em Gerontologia é o filme Chuvas de Verão de Cacá Diegues, que busca retratar a sexualidade da velhice, mostrando que não há idade para o desejo, para o amor e para o sexo.
   Outros filmes demonstram as perdas de papéis sociais, a decadência física e a necessidade das ajudas dos filhos. A necessidade de reorganização familiar e da solidariedade entre gerações se faz presente no filme A Cruz dos Anos, que de alguma forma nos mostra a falta de programas voltados para os idosos e que acompanhem o processo de envelhecimento, garantindo uma velhice amparada.
    Nesta perspectiva, podemos verificar o quão os Cinedebates podem ser muito proveitosos e construtivos, principalmente quando se busca o envelhecimento com qualidade de vida e bem estar.

 

Estas informações podem ser verificadas no livro “Cinema, velhice e cultura – Cinedebate”.

 

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Cuidador familiar, como escolher?

  
   A necessidade de escolha do cuidador de um idoso no âmbito familiar é gerada de acordo com a evolução do grau de dependência ou de como o quadro de saúde do portador se apresenta. Esse processo é dinâmico e depende de vários fatores como, experiências pessoais e práticas socioculturais vigentes em cada contexto e que causam reflexo no comportamento da família. 
   A medida em que o portador de cuidados aumenta suas necessidades, as famílias agilizam o processo de decisão sobre quem é o indivíduo mais adequado para o desempenho de tal função. Os costumes e as crenças presentes no cotidiano costumam ter bastante peso no momento da decisão, por exemplo, em alguns casos o papel de cuidador principal acaba sendo ocupado pelo parceiro, que oferece os cuidados com ou sem ajuda dos filhos. Já em outros arranjos, essa é uma responsabilidade assumida por uma das filhas e seu cônjuge com ou sem ajuda dos irmãos. Entretanto observa-se também que as noras costumam prestar assistência com ou sem ajuda dos netos.
   É importante enfatizar que a escolha ou autodesignação do cuidador é algo que ocorre com certa sutileza em alguns contextos, mas pontual e contundente em outros. Todavia é certo que existem fatores chaves como, características dos membros da família e suas experiências anteriores, mediada pela cultura e pelo contexto em que se vive.
   Nos casos em que o cuidador é casado e convive com o portador, a função é assumida por questões de proximidade física, assim como a compreensão de que essa é uma obrigação do companheiro em função das relações de aliança e dos votos matrimoniais. É comum que alguns cuidadores familiares atribuam a função como dever moral e obrigação de acordo com as práticas socioculturais do seu meio.
   Podemos constatar ainda que é com naturalidade que outros membros da família participem dos cuidados de forma mais distante e facultativa, o inverso costuma ser observado quando o cuidador principal apresenta problemas de saúde ou vem a falecer ou, ainda, quando quando a carga das demandas de cuidados apresentadas pelo portador é elevada consideravelmente.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Exercitar a Memória é Preciso


Muitas pessoas pensam que o processo de esquecimento é resultante da carência de algum componente químico ou hormônio que influencie no funcionamento do cerébro, entretanto na maioria das vezes esse fato acontece simplesmente pela falta de estimulação das sinapses ou desuso das mesmas, como alguns especialistas gostam de definir.
Para que nossa matéria não fique sem sentido para os mais leigos, vamos explicar um pouco sobre o que é uma sinapse. Temos no cérebro humano bilhões de neurônios, destes o do córtex cerebral recebem entre 1.000 e 10.000 conexões. Essas conexões e interconexões estabelecidas entre as células nervosas e que tem como principal função firmar ligações entre elas e transmitir informação entre uma e outra são definidas como sinapses.
Há cerca de um século cientistas já tinham conseguido demonstrar que a falta de estímulos das sinapses já teria como resultado a atrofia e posteriormente perda funcional, assim como o uso elevado das sinapses proporciona seu crescimento e melhora funcional. Um estudo realizado sobre as sinapses responsáveis pelos movimentos musculares identificou que conforme a conexão entre as células fossem estimuladas, mais e melhor eram contraídos os músculos, pois a liberação de neurotransmissores específicos ativam proteínas localizadas nas células seguintes.
Outros estudos conseguiram comprovar que quando a estimulação das sinapses é interrompida por um tempo prolongado, tanto a terminação nervosa que libera neurotransmissores, como as membranas que recebem a substância, se atrofiam. Quando a interrupção da estimulação é consideravelmente prolongada, a conexão pode até desaparecer.
Pavlov já dizia no século passado que a repetição de uma determinada combinação de estímulos que produz uma memória leva a uma melhora da mesma. Tudo aquilo que é aprendido por um indivíduo será melhor recordado se houver exercício daquela informação ou atividade, se não for exercitado acaba-se esquecendo. Memórias que não são esquecidas mesmo com a falta de estimulação, provavelmente são frutos de um forte comprometimento emocional da pessoa com o fato.

Um exemplo pode ser essa própria matéria, que não há comprometimento emocional por você que está lendo agora, todavia se esse mesmo texto for relido várias outras vezes, as informações presentes nele serão facilmente relembradas e resgatadas quando necessários. A mesma coisa acontece com um filme que você viu há um mês atrás e precisa rever de novo para que seja recordado com eficiência. Muitas dessas conexões poderão ser substituídas por outras mais importantes, baseado nessa informação eu espero que as sinapses que venham a substituir sejam mais valiosas.