Entenda como um relógio pode salvar vidas


As alterações do ritmo cardíaco podem estar associadas ao processo de envelhecimento, com o passar dos anos ocorrem modificações na anatomia e fisiologia do coração, como a diminuição de células específicas e o elevação do enrijecimento arterial.

Pesquisadores e especialistas alertam para o aumento de doenças cardiovasculares como principal causa de morte no mundo, apresentando potencial de elevação em cerca de 50% nos próximos 20 anos. Patologias como a doença coronariana, o hipertireoidismo, alterações eletrolíticas ou o uso de algumas medicações podem ser responsáveis pelo surgimento de arritmias e diminuição da qualidade de vida entre idosos.

É relativamente frequente a detecção de arritmias através do eletrocardiograma (ECG) de rotina em pessoas assintomáticas ou com sintomas discretos, e geralmente uma investigação mais profunda é necessária para avaliação. Sendo assim é fundamental identificar precocemente as alterações no padrão de funcionamento, como a elevação da pressão arterial ou da frequência cardíaca.

De acordo com o professor Dr. Mauricio Wajngarten (FMUSP), o envelhecimento exerce quatro influências básicas sobre doenças cardiovasculares: aumenta a vulnerabilidade, promove comportamentos heterogêneos e peculiares, impõe avaliação diferenciada e recomenda intervenções individualizadas.

Ciente dos fatores de risco e da prevalência de doenças cardiovasculares entre a população, a empresa norte-americana Apple desenvolveu dois aplicativos para medição da frequência cardíaca por meio do Apple Watch, o relógio com diversos recursos tecnológicos, alguns deles auxiliam no monitoramento de dados relacionados à saúde de quem faz uso.

Um dos aplicativos é o Recurso de Notificação de Ritmo Irregular, ele analisa dados da frequência do pulso para identificar ritmos cardíacos irregulares e mais rápidos, podendo sugerir o funcionamento anormal do coração e alertando o usuário do relógio. O segundo aplicativo é o ECG, trata-se de um eletrocardiograma similar ao tradicional, ainda permite gravar, armazenar e transferir os resultados para sua avaliação.

Considerando a disponibilidade destes recursos, o usuário que apresenta um tipo de arritmia como a fibrilação arterial recebe um alerta e assim pode buscar por ajuda profissional, evitando o agravamento da situação. O ECG do Apple Watch não substitui o exame tradicional, no caso Brasil os recursos ainda não foram disponibilizados pelo desenvolvedor.

A liberação autorizada pela ANVISA foi publicada através de uma resolução no fim de maio (2020), se enquadram na categoria de dispositivos médicos de médio risco. Por isso algumas ressalvas são necessárias:

·         Os dados de eletrocardiograma (ECG) exibidos pelo aplicativo destinam-se apenas ao uso informativo, não devendo ser interpretados se a consulta a um profissional de saúde qualificado;

·         O dispositivo foi avaliado apenas para detecção de Fibrilação Arterial (FA) e ritmo de batimento normal do coração. Portanto, não se destina a detectar nenhum outro tipo de arritmia;

·         O dispositivo não se destina ao uso por indivíduos previamente diagnosticados com Fibrilação Arterial (FA);

·         O produto também não detecta infarto. Se você sentir dor no peito, pressão ou aperto, ligue para os serviços de emergência;

·         O aplicativo não se destina a substituir os métodos tradicionais de diagnóstico ou tratamento de doenças cardíacas;

·         O eletrocardiograma produzido pelo aplicativo não é de uso clínico e nem pode ser usado com base para diagnósticos de doenças do coração;

·         Todas as notificações registradas pelo software devem ser revisadas por um profissional médico para tomada de decisão clínica;

·         O aplicativo também não deve ser usado por pessoas com menos de 22 anos de idade;

·         O Apple Watch não consegue coletar dados quando o usuário está próximo de fortes campos magnéticos e não deve ser usando durante procedimentos médicos.

·         Por fim, não mude seu medicamento sem falar com seu médico. 

O uso da tecnologia para gestão da saúde e melhora da qualidade de vida não é novidade, mas ainda é necessário que haja mais acesso a estes recursos por pessoas em condição de vulnerabilidade social. Uma das medidas que podem facilitar a popularização desse acesso é a diminuição de impostos  sobre estes produtos ou até mesmo o estimulo da sua produção em território nacional.

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Referências:

1. http://www.in.gov.br/web/dou/-/resolucao-re-n-1.635-de-21-de-maio-de-2020-258257094

2. Wajngarten M ; Rodrigues AG . Coração no idoso. In: Antonio Carlos Lopes. (Org.). Sistema de Educação Médica Continuada à Distância - PROCLIM - Programa de Atualização em Clínica Médica. 1 ed. Porto Alegre: Artmed/Panamericana Editora, 2008, v. 2, p. 9-46.