Polifarmácia e o risco de iatrogenia em idosos


       Vamos refletir sobre polifarmácia. Qual o risco essa prática pode causar a saúde e porque ela acontece? O objetivo desse artigo é fornecer algumas informações para conhecimento de alguns fatores que ampliam os riscos à qualidade de vida.

    Polifarmácia pode ser conceituada como a ingestão de vários medicamentos por um indivíduo com a finalidade de tratamento de uma ou mais doenças, e que foi orientado por um profissional de saúde. Associar diversos medicamentos pode gerar complicações durante o tratamento!

   Alguns autores descrevem iatrogenia como uma complicação que ocorre decorrente da piora no tratamento de um paciente, devido aos efeitos de medicamentos prescritos, quando o médico desconhece a associação com outras drogas e suas reações impactam negativamente no organismo. Para que os profissionais de saúde estejam capacitados a prescrever qualquer tipo de substância, é necessário um conhecimento sólido sobre farmacologia e interação medicamentosa.

    Outro ponto fundamental é a automedicação, que consiste na decisão de medicar-se a si mesmo por vontade própria e sem o acompanhamento de profissionais que orientem sobre a possibilidade de reações adversas causadas pela ingestão da substância. Em alguns artigos, os especialistas em saúde afirmam que o conhecimento sobre iatrogenia não tem sido transmitido satisfatoriamente, um dos motivos é deficiência no ensino durante a formação dos profissionais em saúde. 

       Atualmente quem mais realiza prescrição medicamentosa no Brasil são médicos, há diversas escolas médicas nos grandes centros, em relação aos locais mais distanciados das metrópoles e que sofrem com a escassez de profissionais. Alguns cursos de medicina tem péssima reputação na avaliação do Ministério da Educação. Isso demonstra que algumas faculdades não qualificam o corpo docente ou mesmo nem realizem aquisições de equipamentos e parcerias necessárias.

      O objetivo de tal cometário passa longe de responsabilizar os médicos pela situação, mas de repensar o processo de educação em saúde e orientação sobre prevenção de complicações causadas dentro desse contexto como função de todos os profissionais do campo da saúde.

     Nos consultórios de convênios médicos os idosos são os que mais sofrem com prescrição excessiva de medicamentos, acredita-se que cerca de 85% deles apresentam mais de uma doença (comorbidade). Considerando que uma consulta leve entre 10 e 15 minutos, o que é insuficiente para favorecer uma experiência positiva do paciente.

      Entre as possíveis complicações estão inclusas uma série de doenças relacionadas ao uso ou associação indevida de medicamentos, o que, acaba ocasionando reflexos a saúde. Uma medicação que causa reação adversa precisará de outra substância para solucionar o problema ou até mesmo gera uma quadro crônico em que exigirá acompanhamento efetivo do estado de saúde.

           As mais frequentes são: 
  • Doenças Cardiovasculares;
  • Osteoarticulares;
  • Diabetes;
  • Hipertensão;
  • Doenças do Aparelho Respiratório;
    Para cada uma dessas doenças o paciente precisa ingerir um ou vários medicamentos e, geralmente, esse mesmo paciente passa por diversos especialistas. Nem sempre é verificado qual o número de medicamentos em utilização, ou seja, sem o estudo de interação medicamentosa.

       Por fim, recomendo que durante a consulta sejam informadas às doses de medicamentos que já são utilizados e também outros que não foram prescritos, mas que são ingeridos (se for o caso). Incluindo os fitoterápicos, vitaminas e outros. Aconselho também buscar opinião de outros profissionais (ex: farmacêutico)  que podem utilizar instrumentos científicos de avaliação, eles auxiliam na interação medicamentosa e esclarecem dúvidas sobre a ação de cada substância em nosso corpo.