segunda-feira, 25 de março de 2013

Polifarmácia: um risco de Iatrogenia em idosos


Vamos discutir um pouco sobre polifarmácia. Qual o risco que esse tipo de prática pode causar a saúde e porque ele acontece? Pois é sobre isso que vamos comentar e fornecer uma base de conhecimento para saber ao que se refere essa terminologia. 
Polifarmácia pode ser conceituada como a ingestão de vários medicamentos por um indivíduo com a finalidade de tratamento de uma ou mais patologias, e que deve ser receitada por um médico. A associação de diversos medicamentos pode causar complicações durante o processo, gerando então uma iatrogenia.
A Iatrogenia pode ser também considerada dentro do seu amplo campo conceitual, uma complicação que ocorre decorrente da piora no tratamento de um paciente, devido aos efeitos de medicamentos receitados, pelo fato de o médico desconhecer a associação de diversas drogas e suas reações. Pode ser provocada por inúmeras substâncias. Para os profissionais que receitam estarem capacitados a prescreverem qualquer que seja o tipo de substância, é necessário um conhecimento sólido sobre Farmacologia e interação medicamentosa. É essencial que cada caso seja avaliado em seu devido tempo para que as peculiaridades de quem é avaliado seja entendida e o cliente seja considerado como um todo dentro da situação.
Existe ainda outro ponto a ser tratado, a automedicação, que consiste numa conduta de tomada de decisão para medicar-se a si mesmo por vontade própria e sem o acompanhamento de profissionais para orientar sobre a possibilidade de reações adversas e malefícios causados pela ingestão da droga.    
Em alguns cursos profissionais os especialistas em saúde consideram que o conhecimento sobre Iatrogenia não tem sido transmitido satisfatoriamente, por deficiência no ensino. 
Atualmente quem mais realiza prescrição medicamentosa no Brasil é o Médico, há um excesso de escolas médicas nos grandes centros, em relação aos locais mais distanciados das metrópoles e que sofrem com a escassez de profissionais qualificados. Alguns cursos de medicina, por exemplo, são criados até mesmo sem a representação na entidade que se responsabiliza pela categoria profissional (CRM). Isso facilita para que escolas cobrem altos valores e não contem com corpo docente qualificado e nem equipamentos necessários para o desenvolvimento das aulas.
O objetivo de tal cometário passa longe de responsabilizar os médicos pela situação, mas de repensar o processo de educação em saúde e orientação sobre prevenção de complicações causadas dentro desse contexto como função de todos os profissionais do campo da saúde.
Nos consultórios de convênios médicos os idosos são os que mais sofrem com a prescrição excessiva de medicamentos, acredita-se que cerca de 85% deles apresentam diversas patologias associadas. Sem contar o fator de que um médico demora entre 10 e 15 minutos numa consulta, o que é, ao meu ver um tempo insuficiente para que seja desenvolvido um padrão de qualidade no atendimento.
Dentre as complicações que já falamos anteriormente, estão incluídas uma série de patologias relacionadas ao uso ou associação indevida de medicamentos, o que, acaba por ser prejudicial a saúde do paciente. Uma droga que causa uma reação adversa no indivíduo precisará de outra substância para solucionar o problema ou até mesmo gerar uma quadro crônico em que exigirá acompanhamento efetivo do estado de saúde. Na  esfera das complicações causadas , as mais frequentes são: 
  • Doenças Cardiovasculares;
  • Osteoarticulares;
  • Diabetes;
  • Hipertensão;
  • Doenças do Aparelho Respiratório;
Para cada uma dessas doenças o paciente precisa ingerir um ou vários medicamentos e, geralmente, esse paciente passa por diversos médicos. Nem sempre o profissional verifica qual o número de medicamentos já receitados anteriormente por outro médico e nem faz o estudo da interação medicamentosa. A conduta do profissional deve ser pautada de acordo com as transformações recorrentes ao envelhecimento. Ex: A dose de medicamento prescrita ao idoso normalmente não deve ser a mesma de um indivíduo com 20 anos, isso se trata de um aspecto relacionado ao processo metabólico do corpo humano, explicando o motivo da suscetividade as reações adversas. 
Meu conselho gerontológico para quem consulta vários médicos é que sejam informadas as doses de medicamentos que já são utilizados e também outros que não foram prescritos, mas que são ingeridos. Incluindo os Fitoterápicos, vitaminas e outros. Aconselho também que é sempre bom procurar a opinião de outros profissionais que podem utilizar de instrumentos científicos de avaliação que auxiliam na interação medicamentosa e esclarecer as dúvidas sobre a ação de cada substância em nosso corpo.
E lembre-se:
                     " O pior nos medicamentos é que um torna necessário o emprego de outro."

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